Em um dos dias em que estava à procura de algo para assistir, encontrei uma agradável surpresa: O Prisma do Amor. Um anime sobre uma japonesa que decide ir para a Inglaterra estudar pintura no século XVIII.
A identificação foi instantânea, porque, apesar de não ser a mesma área, pintura e design são irmãos distantes. Ambos lidam com sensações, intensidade, bloqueios criativos e síndrome do impostor. Além de tudo, amo pintar, rabiscar e colocar ideias malucas em prática, por isso resolvi continuar assistindo, e adorei!
Percebi que é uma série com diversos aprendizados, com uma vibe meio Frieren, sabe? E esta lista reúne alguns deles:
1 — Todo artista tem bloqueios criativos.
Alguns personagens são venerados pelos colegas de sala, como Lili e Kit, por serem muito "bons". No entanto, vemos que a arte sempre será subjetiva e que o desempenho é algo individual. Para eles, nunca parece ser suficiente, e a comparação permanece constante.
É como se existissem metas invisíveis que nunca serão alcançadas, independentemente das tentativas.
2 — A família é um pilar fundamental.
Vemos que os pais moldaram o Kit, e que a bondade deles permaneceu nele como uma semente, o que é muito interessante. Dorothy é moldada pelo amor dos irmãos, e Shin pela sua querida irmã, que passa o tempo todo ao seu lado e é uma ótima companhia.
Muitas vezes, as pessoas da nossa família são pilares que não percebemos por causa do costume diário.
3 — A aristocracia cobra um preço alto, incluindo o amor.
Lili tem medo de não poder fazer parte da família de Kit por causa do dinheiro e das diferenças de classe social. Catherine irá se casar com alguém que não ama. Dorothy se encontra em uma encruzilhada, abrindo mão de viver um amor por gostar de um aristocrata.
O amor era para poucos, principalmente em séculos nos quais apenas as condições sociais importavam. Hoje, tudo é diferente, de uma forma que os sentimentos, na maioria das vezes, podem ser vividos para além de casamentos arranjados e isso deve ser valorizado.
4 — O que é ser bom, afinal?
Cada personagem tem sua própria visão sobre o que significa ser bom e sobre o que, de fato, é alcançável como meta para si.
No mundo, não existe uma definição universal do que é ser "bom", e isso torna tudo muito maleável, abrindo espaço para inúmeras paranoias. E aí vem a questão: para que ser tão cruel consigo mesmo, sendo que você não seria assim com os outros?
A pressão que os artistas colocam sobre si mesmos pode ser extremamente cruel.
5 — O amor também é admiração.
Grande parte dos relacionamentos apresentados na série nasce da admiração. Não apenas pela aparência ou pelo status, mas pela forma como o outro enfrenta a vida, pela dedicação à arte, pela gentileza ou pela coragem.
6 — Nem sempre os sonhos são lineares.
A protagonista atravessa um oceano inteiro em busca de um sonho, mas isso não significa que tudo acontece exatamente como imaginou. Existem dificuldades, mudanças de perspectiva e novos desejos surgindo pelo caminho, além da luta constante para alcançar o primeiro lugar. O amadurecimento da jornada é sempre muito significativo e legal de assistir.
7 — A solidão faz parte do processo criativo.
Criar pode ser algo profundamente solitário. Há momentos em que ninguém entende exatamente o que você está tentando expressar, e isso pode gerar insegurança.
Mas existe uma diferença entre estar sozinho e estar abandonado. Pra que a necessidade constante de aprovação? Muito bonito sobre como a série aborda que nem sempre o criar deve estar intrínseco a constantes elogios. As vezes é só uma necessidade da alma.
8 — Sensibilidade não é fraqueza.
Os personagens choram, se frustram, sentem inveja, medo e insegurança. Ainda assim, continuam tentando.
Por muito tempo, a sensibilidade foi vista como algo negativo. Mas talvez ela seja justamente o que nos permite criar, amar e perceber nuances que outras pessoas deixam passar. Sentir muito ajuda a ver o mundo com mais emoção, experienciar coisas cotidianas como ir no museu como tardes de belos aprendizados.
9 — Comparar trajetórias é injusto.
Cada personagem possui uma história, uma criação, oportunidades e dificuldades completamente diferentes. Ainda assim, insistem em medir o próprio valor usando a régua dos outros.
É curioso como somos capazes de reconhecer que cada pessoa vive uma realidade única, mas esquecemos disso quando a comparação envolve nós mesmos, fato presente na maioria dos personagens do arco principal.
10 — A arte é uma forma de deixar marcas no mundo.
Nem toda obra será revolucionária. Nem todo desenho será o mais bonito do muuundo sabe? Nem todo projeto será premiado.
Mas a arte tem a capacidade de tocar alguém, fazer companhia em dias difíceis ou expressar sentimentos que nem sempre conseguimos colocar em palavras.
Talvez o verdadeiro valor de criar esteja justamente nisso: na possibilidade de compartilhar um pedaço de quem somos com o mundo. E, no fim das contas, isso já deve bastar para quem cria e tem a sensibilidade de fazer surgir coisas tão especiais.




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