19 de dez. de 2019

Caixa de Indecisões


  Então, minha linha de pensamentos lógicos de que não ganharia um Nobel da Paz pela minha escrita foi interrompida pelo interfone tocando pela terceira vez, enquanto tentava começar um parágrafo á 30 minutos. Minha vontade era de não atender, mas a insistência passou a incomodar algum lugar da minha mentalidade. Percebi que era o carteiro. Respondi "Ah, obrigada" enquanto fechava o portão e pensava naquela caixa. Lembrei que tinha comprado uma edição do Guia do Estudante para o Enem.
  Não tinha pensado em estudar para vestibulares nos últimos seis meses. Muita coisa acontece em seis meses. Você pode acabar um semestre na faculdade, adotar um bichinho, escrever textos, criar novos talentos, exatamente por isso sentia muita culpa por não ter começado antes. Sentia como se todo mundo estivesse preparado e eu não.
  Coloquei a caixa na bancada, rasguei as embalagens que nem uma criança de 6 anos quando ganha um Hotwells e abri em uma página aleatória. E lá estava em tom negrito e letras brilhantes a palavra PROFISSÕES.
É difícil como você deve começar a moldar sua vida durante o ensino médio. Já precisamos ter ideias em mente, sonhos, realizações, e as vezes o desejo é apenas dormir e não se preocupar com nada disso, só que simplesmente não dá.
  Eu decidi minha faculdade fazia um ano. Relações Públicas. Mas na realidade simplesmente não ter que decidir aquilo naquele momento. Parece assustador o fato de que se você não escolher a profissão certa, poderia acabar sem rim. No sentido literal, já que em meio a um mundo em que tudo gira em torno do dinheiro, você pode muito bem vender o seu no mercado negro como forma de consolo, e esse era um nível que nunca queria chegar.
  As pessoas meio que não ligam muito para a arte. Se ligassem, com certeza grande parte dos meus amigos seguiriam seus dias pintando quadros, desenhando ou criando pulseiras para vender em um rio. Isso acabou me colocando em um dilema mental: um mundo não se vive só de artistas, e muito menos só de médicos aliás.
  Escolher uma profissão com o propósito financeiro é algo bom, mas não bom o suficiente se não caminhar junto com a decisão de satisfação, e é o que muitos não ligavam mais a aquela altura. Entrar em uma faculdade concorrida, em que passariam anos com mesas cheias de trabalhos, simplesmente para se tornar um robô do mercado.
  Não daqueles robôs bonitinhos como o Wall-E que em alguns momentos conseguem sentir alguma felicidade, e sim daqueles que o Phineas e o Ferb criam que tem um único propósito: fazer algo útil enquanto apresentam frieza.
   E ali, olhando para aquela folha aleatória por 10 segundos (ou 10 minutos, não sei bem) decidi que se tudo der errado, eu dou palestras motivacionais e me torno coach.
 Ou não.
 É, definitivamente não.


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